Curso de Arte e Mitologia mostra como a arte retratou a tragédia de personagens femininas

2 de julho de 2021

O curso de Arte e Mitologia promovido pelo Projeto Magistrais, da Apamagis, apresentou um recorte único unindo os dois temas. Em três aulas, realizadas entre final de maio e junho, o professor Felipe Martinez contou a história trágica de personagens femininas da mitologia e como seus dramas foram retratados por pintores e escultores ao longo do tempo. A média foi de 50 participantes por aula.

Em todos os encontros, Felipe Martinez indicou livros sobre os temas abordados, falou sobre as razões de terem sido escolhidos e apresentou diversos slides. Com idas e vindas na tela para pontuar o estilo de cada artista e fazer comparações, ele apontou detalhes sobre a maneira como cada artista retratou personagens, as cores e traços usados, a dramaticidade da obra e o estilo de cada uma.

Três mulheres e seus destinos selados pela Guerra de Troia
Como as mulheres estavam no centro da discussão, arte e mitologia foram revisitadas com o olhar sobre essas personagens marcantes. Na primeira aula, em 26/5, Felipe Martinez apresentou todo o contexto da Guerra de Troia e dos personagens que protagonizaram ou orbitaram o conflito para depois mergulhar no universo da peça “As Troianas”, de Eurípedes, e suas personagens Hécuba, Andrômaca e Cassandra. “Quando a Guerra de Troia acaba, elas vão ter destinos muito duros, inclusive a família delas”, disse Felipe Martinez.

Hécuba é mãe de Heitor e Páris e sogra de Andrômaca, que tem um filho com Heitor, morto na guerra. Ao final, é levada como escrava e obrigada a deixar seu menino, sentenciado de morte, com Hécuba, em Troia.

O drama dessas personagens é apresentado em obras como “Andrômaca cativa”, de Frederic Leighton, de 1888, e, “O sofrimento de Hécuba”, de 1630, de Leonaert Brames, que mostra a personagem debruçada sobre o corpo do menino, à beira do mar.

Cassandra retratada por Frederik Sandys

Também foi apresentado pastel sobre papel de Frederick Sandys, que mostra a face assustada de Cassandra, mulher com dom de prever o futuro, mas que, por castigo dos deuses, nunca era levada a sério pelas pessoas em suas premonições.

Reflexões de Medeia inspiram artistas em pinturas e esculturas
A segunda aula foi toda dedicada a Medeia, personagem que mata os próprios filhos depois que seu companheiro Jasão se casa com outra. A história é mais complexa do que essa síntese e remonta à grande aventura de Jasão a bordo de sua nau Argo, junto com heróis como Hércules e Orfeu, em busca da pele dourada de um carneiro, o chamado velocino de ouro, que garantiria a Jasão retomar o reino que fora de seu pai.

Várias são as obras apresentadas por Felipe Martinez que retratam essa jornada heroica, entre elas a têmpera sobre madeira “Argo”, de 1500, assinada por Lorenzo Costa, e duas esculturas de estilos diferentes que mostram Jasão com o velocino de ouro: uma de Pietro Francavilla, de 1589, e outra de Bertel Thorvaldsen, de 1803. Todas elas foram comentadas em detalhes na aula.

Na terra onde conquista o velocino de ouro, Jasão conhece Medeia, e depois eles partem juntos, têm dois filhos e chegam a uma outra terra onde o rei propõe a Jasão que case com sua filha. Jasão aceita, como única forma de garantir boa posição, e propõe a Medeia que permaneça ali como amante. Mas Medeia, ferida pela decisão de Jasão, também é expulsa pelo rei. Antes de ir embora, porém, Medeia decide matar as crianças para desfazer totalmente os laços com Jasão e essa história.

Medeia prestes a matar os filhos, por Delacroix

A dúvida que assola Medeia antes do duplo assassinato é tema de várias obras de arte que Felipe Martinez apresenta. Entre elas, a escultura de William Wetmore Story, de 1865, em que Medeia aparece pensativa, com punhal na mão. Outra obra é óleo sobre tela “Medeia prestes a matar seus filhos”, de Delacroix, que teve duas versões feitas pelo mesmo artista.

Tragédia de Édipo e de sua filha Antígona são tema da última aula
A terceira e última aula remete à famosa história de Édipo, que sem saber se casa com a própria mãe, Jocasta, e por conta disso mergulha em desgraça. Jocasta comete suicídio e Édipo fura os próprios olhos antes de abandonar sua cidade.

A mulher destacada no curso de Felipe Martinez não é Jocasta, mas Antígona, filha de Édipo, que irá acompanhar o pai durante todo o percurso após deixar Tebas.

Antígona é protagonista da peça que leva seu nome e que encerra a trilogia de Sófocles, composta também por “Édipo Rei” e “Édipo em Colono”. A personagem aparece, por exemplo, no óleo sobre tela “Édipo e Antígona”, de 1842, de Charles Jalabert, e que mostra Antígona amparando Édipo na chegada deles a Colono, depois de terem deixado Tebas.

“Todo mundo olha para Édipo com asco. Ele é como um ser maligno, parece que tem doença contagiosa”, explicou Felipe Martinez sobre a obra. “Antígona é uma espécie de guia de Édipo e aparece aqui luminosa, defendendo o pai.” A obra em questão pertence ao neoclassicismo francês. “Esse modo de pintar está prestes a acabar. Logo depois, vão começar os primeiros movimentos de arte moderna. Virão artistas interessados em fazer paisagens, considerado gênero inferior, e que não querem mais pintar temas mitológicos, bíblicos e religiosos”, disse Felipe Martinez.

“Édipo e Antígona”, de Charles Jalabert

Daí para frente surgirão artistas como Toulouse-Lautrec, Monet e Van Gogh, todos eles já apresentados no curso de Arte Moderna promovido pelo Projeto Magistrais neste ano e conduzido também por Felipe Martinez.

O professor também já havia ministrado uma aula sobre Leonardo Da Vinci e comandado uma visita guiada à exposição do artista no MIS Experience, no ano passado. Felipe Martinez é doutor em História da Arte pela Unicamp e pós-doutorando no Museu de Arte Contemporânea da USP.

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