Primeira live da série “Casos Midiáticos: Justiça X Imprensa” trata de ocorrência envolvendo jogador Neymar

1 de julho de 2021

A Apamagis realizou a primeira live da série “Casos Midiáticos: Justiça X Imprensa” nesta quarta-feira (30/6), e a convidada foi Estefânia Paulin, uma das promotoras responsáveis pelo caso de 2019, em que o jogador Neymar foi acusado de estupro pela modelo Nájila Trindade. O evento virtual, transmitido pelo Instagram da Associação, foi conduzido pela diretora de Imprensa da Apamagis, Carolina Nabarro Munhoz Rossi.

Por conta da grande repercussão nacional e internacional do fato, a promotora contou que ficou um pouco aflita quando recebeu o caso: “Meu grande receio naquele momento, diante da repercussão, era o de expor os envolvidos. Mas, tive uma boa relação com a imprensa. O que eu podia falar, falava, o que não podia, não falava. Foi uma experiência muito boa para mim”.

A juíza Carolina Nabarro defendeu que membros do Judiciário e do Ministério Público prestem esclarecimentos à imprensa, até para evitar que outros o façam. “Há informações que podem ser divulgadas pelos juízes sobre os processos. Claro que não vamos antecipar julgamentos. Mas como agentes públicos que somos, podemos divulgar alguns dados acerca de um julgamento que ninguém vai ter.”

Estefania Paulin lembrou que outra grande preocupação dela foi com relação a outras vítimas que se encontravam na delegacia. “Isso gerou um mal-estar porque eram muitas câmeras, muitos jornalistas todos os dias filmando. Muitas pessoas não queriam aparecer, e houve muitas reclamações.”

A pressão por dar algum desfecho rápido ao caso, segundo a promotora, ocorreu porque as cobranças vindas da mídia e a grande movimentação de profissionais de imprensa atrapalhavam o andamento de outros trabalhos. “O caso do Neymar andou mais rápido sim. Até porque houve uma pressão para que se denunciasse ou arquivasse logo, a fim de normalizar a rotina de trabalho de todos”, afirmou.

Para Estefânia Paulin, o fato do caso envolver um ídolo nacional, uma figura de muita exposição, não foi exatamente o grande problema, mas sim a o pré-julgamento que ocorria. “O fato de ser o Neymar o investigado não fez nenhuma diferença para mim. Agora o fato de tanta gente estar olhando para o nosso trabalho sim. Eu tinha receio de que aquilo virasse um circo. Na época, o Fantástico da TV Globo queria nos entrevistar. Recusamos exatamente para não prejudicar a imagem seja do investigado ou da vítima, que, por sinal, já vinha sendo muito atacada”, lembrou.

“Para a opinião pública, a vítima já estava condenada. Inclusive as entrelinhas das perguntas de jornalistas já davam a entender que ela era culpada. Fiquei com muito medo de essa mulher ser colocada em uma situação de risco por causa dos pré-julgamentos”, disse.

No entanto, a promotora afirma que esse pré-julgamento não influenciou em nada a decisão da promotoria de pedir o arquivamento do caso: “No fundo, não sabemos se aconteceu o crime ou não. Pedimos o arquivamento por falta de provas, já que a defesa da vítima, quando eram solicitadas as provas, alegava cada hora uma coisa”.

A promotora contou que na ocasião foi questionada se o arquivamento não desestimularia outras vítimas de violência a denunciarem seus agressores, mas, segundo ela, o caso mostra o contrário, que existe todo um processo probatório para que a denúncia seja levada adiante. “Eu dizia que tudo isso era a prova de que existe um processo, que precisa ser provado e que nós vamos atrás. O arquivamento foi feito analisando cada prova.”

Carolina Nabarro concordou com a promotora e falou um pouco da visão dos juízes sobre ocorrências como essas. “Há casos em que as mulheres também mentem. Às vezes, algumas vítimas não entendem que nós da Justiça precisamos ouvir o outro lado. Não entendem porque não damos uma medida protetiva de imediato. Para quem está sofrendo, é difícil entender que nós precisamos ouvir o outro lado, apurar e dar ouvidos ao contraditório”, completou a juíza.

A próxima live dessa série “Casos midiáticos: Justiça X Imprensa” será realizada na próxima quarta-feira (7/7), a partir das 18h, e transmitida pelo Instagram da Apamagis.

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