Inovação linguística e dilemas universais marcam “Grande Sertão: Veredas”, debatido no Clube de Leitura
O livro “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, foi o centro de debates do Clube de Leitura da Apamagis, realizado em 7/2, às 19h, pela plataforma Zoom, sob condução de José Miguel Wisnik, professor, ensaísta, compositor e músico. A mediação foi da magistrada Danielle Martins Cardoso.
“Grande Sertão: Veredas” é a publicação mais célebre de Guimarães Rosa. Conta a história de amor entre Diadorim (ou Reinaldo) e Riobaldo, ex-jagunço que conta, para um interlocutor não identificado na obra, momentos de quando era jovem e viveu em meio a um bando de sertanejos.
Experimentalismo com regionalismo
Romance relevante da literatura brasileira, o livro faz uma mescla do experimentalismo com o regionalismo do movimento modernista.
Publicada em 1956, a obra foi escrita a partir de duas viagens de Guimarães Rosa. Na primeira, para o Interior de Minas Gerais, em 1945, o autor quis relembrar locais de sua infância, enquanto que na segunda, sete anos depois, acompanhando a condução de uma boiada, registrou falas e costumes do sertão mineiro.

“Trata-se de uma obra colossal, chega a ser monstruosa, em todos os sentidos, pelo o que ela tem de exorbitante, de sublime, quase inacreditável que a gente leia esse fluxo. É um livro não dividido em capítulos, mas conduzido por um diálogo do personagem principal com um interlocutor que dá sentido à última palavra do livro: travessia. Nós atravessamos uma experiência, uma narrativa sem interrupção, o que faz desse livro algo muito singular, diferente”, afirmou José Miguel Wisnik.
Metafisica e dilemas universais
O professor discorreu sobre o cunho experimentalista da obra, com linguagem inovadora, fruto do profundo conhecimento linguístico de Guimarães Rosa. Além do aspecto regionalista, José Miguel Wisnik destacou que o livro ultrapassa o plano metafísico e aborda questões fundamentais da humanidade, como a existência de Deus e do diabo, por exemplo, do bem e do mal, valendo-se de mitos e símbolos universais. O microcosmo do sertão mineiro mimetiza assim temáticas globais e inerentes à constituição humana.
“O leitor acaba ficando também na posição de interlocutor do personagem principal. Não é uma narrativa linear, na ordem cronológica, mas uma travessia da procura, uma busca. A memória não funciona em ordem direta, em linha reta. A narrativa do livro expõe uma experiência enigmática para Riobaldo, que revisita a própria vida”, destacou o professor.
José Miguel Wisnik explanou que “Grande Sertão: Veredas” não é somente robusto por sua quantidade de páginas, mas também pela grandeza na utilização da linguagem e pelo cuidado na elaboração de sua dimensão ficcional. “Valendo-se de recursos estilísticos bem próprios, Guimarães Rosa trabalha a linguagem do sertão e fornece ao leitor uma experiência única e inesquecível”, salientou.
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