Em mesa científica do Cedes, Vanessa Mateus defende que população seja melhor informada sobre o Judiciário

20 de agosto de 2021

A importância de uma Justiça capilarizada, mais próxima dos cidadãos, e a necessidade de informar melhor a população sobre o Judiciário, de uma forma mais aprofundada do que é exibido nas TVs e nas redes sociais, foram pontos primordiais levantados pela presidente da Apamagis, Vanessa Mateus, para elevar o grau de informação e confiança das pessoas sobre a Justiça.

A magistrada falou sobre o tema na mesa científica realizada nesta sexta-feira (20/8) pelo Cedes (Centro de Estudos de Direito Econômico e Social) e que teve como foco os resultados da primeira edição da pesquisa JUSBarômetro, encomendada pela Apamagis ao Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas) com o propósito de fornecer informações sobre a visão da sociedade a respeito do Judiciário paulista. O evento foi acompanhado ao vivo por 60 pessoas. A diretora de Imprensa da Apamagis, Carolina Nabarro Munhoz Rossi, fez a exposição de dados.

Em sua fala inicial, Vanessa Mateus lembrou que essa grande exposição do Judiciário na mídia é algo relativamente recente: despontou com as investigações sobre o mensalão e ganhou mais força com a implementação da operação Lava-Jato. “Como o Judiciário é um Poder que nunca foi acostumado a dialogar, a estar na frente das câmeras, as narrativas foram construídas sem o nosso contraponto. Nunca havia a palavra do Judiciário, e não é porque a imprensa não procurava, mas porque o Judiciário nunca pôde falar sobre nada”, argumentou.

O que preocupa Vanessa Mateus é que, como apontou a JUSBarômetro, apenas 14% dos mil entrevistados se disseram bem informados com relação ao Judiciário, e, dentro desse universo, a confiança no Judiciário paulista foi de 62 %, bem maior do que a média de 49%. Ou seja: é preciso fazer a informação chegar, e com qualidade. Segundo a JUSBarômetro, a maior parte das pessoas se informa por meio de TV e redes sociais, canais que, na avaliação de Vanessa Mateus, são mais rápidos na informação, sem espaço para aprofundamento.

A presidente da Apamagis, Vanessa Mateus

Integração
Na abertura do evento, Marco Aurélio Tavares, secretário executivo do Centro de Estudos de Direito Econômico e Social, disse que a mesa científica é uma integração entre o mestrado profissional do Cedes, composto sobretudo por magistrados, e o programa de especialização, com mais advogados de empresas. “É muito importante essa integração”, disse ele, para em seguida argumentar que os números da pesquisa oferecem caminhos seguros para diagnosticar os problemas e buscar soluções.

Na esteira dessa ideia de integração, Vanessa Mateus lembrou que a OAB recebeu aprovação de 60% dos entrevistados, superando o grau de satisfação dos entrevistados com relação, por exemplo, ao Ministério Público, aos desembargadores e ao CNJ. “A OAB chega com 60%, e a Defensoria, com 63%, o que confirma a tendência que eu falo: se você está aí para brigar pela população, quanto maior o contato, maior o nível de confiança.”

Durante o encontro, e após a abertura para perguntas, foi aventada a sugestão de uma união maior entre magistrados, advogados e demais operadores do Direito em busca de um sistema de Justiça mais forte e mais bem avaliado pela população. Para Vanessa Mateus, a JUSBarômetro traz mais perguntas do que respostas, e aposta na colaboração da academia na busca de soluções.

O secretário-executivo do Cedes, Marco Aurélio Camargo

Imparcialidade
A juíza Carolina Nabarro Munhoz Rossi destacou alguns dados da pesquisa para traçar um panorama geral. Entre eles, o de que o Judiciário é o mais bem avaliado entre os Poderes, na esfera federal, e também sobressai no cenário paulista.

Segundo a JUSBarômetro, 53% não confiam no STF, 46% no STJ e 40% no CNJ. E 40% não confiam nos juízes de São Paulo, índice aquém do desejado, mas menor que outras instituições. Em São Paulo, é ruim ou péssima a avaliação do governo do Estado (49%), Assembleia Legislativa (32%) e juízes (19%).

A diretora de Imprensa da Apamagis destacou o painel sobre Características esperadas pelo Judiciário. “Achei esta parte a mais interessante. São múltiplas respostas, e as pessoas puderam escolher quantas respostas quisessem. A maioria considera o Judiciário imparcial e igual para todos (35%). Que bom que as pessoas têm essa visão do Judiciário. Confiável e honesto para 30% e transparente para 26%. Acessível a todos 20%”, disse.

Para a magistrada, informações mais claras sobre o Judiciário também devem ajudar a reverter esse quadro, sobretudo nos índices menos favoráveis, como a rapidez, já que a realidade nos Tribunais, com a grande quantidade de demandas e recursos, muitas vezes impede a agilidade que os próprios magistrados gostariam de oferecer. A mesa científica terminou com perguntas dos participantes.

Clique aqui para ver a pesquisa na integra.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

  • O livro “O Nome da Rosa”, escrito por Umberto Eco, e que foi levado ao […]

  • Thiago Massad participou, nesta quinta-feira (22/1), da cerimônia de posse do Advogado Paulo Cesar Salomão […]

  • A declaração do novo Presidente do TJSP, Francisco Loureiro, durante a Festa de Confraternização da […]

NOTÍCIAS RELACIONADAS