À rádio Viva, de Araçatuba, Vanessa Mateus diz que a violência contra a mulher é um problema civilizatório
A presidente da Apamagis, Vanessa Mateus, concedeu entrevista ao Jornal de Verdade, da rádio Viva FM de Araçatuba e região, na manhã desta terça-feira (19/10). Os temas principais que nortearam a conversa foram a 2ª edição da pesquisa JUSBarômetro, campanha Sinal Vermelho, o combate à violência contra a mulher. A entrevista foi conduzida pelo jornalista Marco Serelepe.
Indagada pelo apresentador do jornal sobre a pesquisa encomendada pela Apamagis e realizada pelo Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas), a presidente da Apamagis comentou que o objetivo deste levantamento foi ir além das estatísticas oficiais sobre a violência doméstica. “Na maioria das vezes, as políticas públicas são feitas com base em números, mas sem ouvir a população. Então, fomos ouvir as mulheres. Ouvimos mil entrevistadas sobre a percepção delas a respeito da relação delas com violência, se já sofreram ou ficaram sabendo, onde esses casos ocorrem, entre outras questões.”
Vanessa Mateus destacou que, de acordo com a pesquisa, 88% das entrevistadas afirmaram que sentem que a violência contra as mulheres aumentou nos últimos anos. Outro ponto que a presidente chamou a atenção foi com relação à localidade da ocorrência da violência. “Para 76% das mulheres, a própria casa é o local mais perigoso. Isso é muito preocupante. Não podemos admitir que a casa das mulheres seja o lugar mais inseguro para elas,” advertiu.
O jornalista questionou a presidente da Apamagis sobre qual seria o motivo de muitas mulheres continuarem com seus companheiros mesmo após sofrerem agressões físicas ou psicológicas. “Perguntamos na pesquisa JUSBarômetro por qual motivo a pessoa que sofreu ou que conhece quem sofreu violência não denunciou. E 73% responderam que foi por medo de ser agredida novamente, medo da denúncia não vingar, medo de o processo não ir para frente, ou seja, uma série de versões.”
A ocasião em que assumiu o Juizado Especial de Violência Doméstica contra a Mulher, na cidade de São Paulo, foi lembrada por Vanessa Mateus na entrevista. Ela contou que imaginava que a maioria dos casos implicava em uma dependência financeira da mulher perante o companheiro, porém esse pensamento estava equivocado. “Na maioria dos casos, a mulher tinha um emprego fixo, e o homem, uma profissão com menos vínculo, os chamados bicos. O que mais vi foi uma dependência emocional, porque a violência se inicia de forma psicológica, apagando a autoestima, tirando a mulher da família, dos amigos, criticando a aparência. E quando a violência física acontece, ela já perdeu o vínculo com a família e com os amigos”, afirmou.
Sobre a campanha Sinal Vermelho, a presidente da Apamagis destacou que o grande objetivo vem sendo atingido, que é divulgação e conscientização de que a violência doméstica é um problema de toda a sociedade. “Antes muita gente achava que a violência doméstica era um problema privado. Tinha aquele ditado que ‘em briga de marido e mulher não se mete a colher’. Mas o intuito dessa campanha é fazer toda a sociedade entender que a violência doméstica é um problema de todos, um problema civilizatório.”
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