AMB lança campanha “Nós por Elas” para viabilizar a acolhida de magistradas afegãs e de seus familiares
Nesta quarta-feira (20), a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) reuniu a imprensa nacional, na sede da entidade, para falar sobre a chegada do grupo de 26 pessoas afegãs à capital federal, resgatado em razão da tomada de Poder pelo Talibã no Afeganistão em agosto deste ano. Durante o evento, a AMB lançou a campanha “Nós por Elas” para viabilizar a acolhida de juízas afegãs e de seus familiares em território brasileiro. O Banco do Brasil disponibilizou uma chave Pix para receber doações que serão destinadas a esses cidadãos afegãos na condição de refugiados no Brasil, que podem ser feitas usando o e-mail pix.nosporelas@fbb.org.br como chave de identificação.
“Nós abrimos uma conta que vai receber doações para que essas famílias possam receber doações. A fundação está doando de largada 100 mil reais para ajudar essas pessoas que acabaram de chegar ao Brasil. O Banco do Brasil está honrado em participar”, anunciou o presidente do Banco do Brasil, Fausto de Andrade Ribeiro.
A entidade também criou o “Selo Humanitário da AMB” para estimular a participação de instituições e sociedade civil organizada com doações para o fundo do programa. O encontro reuniu várias autoridades que fizeram parte da operação de ajuda humanitária liderada pela AMB.
“Nós estamos lançando hoje uma grande campanha – “Nós por Elas”. Toda a sociedade Brasileira, entidades governamentais, organizações privadas. Nós temos um compromisso solidário de fazer com que essas famílias retomem suas vidas”. A presidente esclareceu ainda, que a AMB está funcionando como espécie de tutora de autoridade central. “Nós continuamos em contato com as missões no exterior para auxiliar essas pessoas”.
A presidente da AMB destacou que a campanha inaugura uma nova era no país. “O Brasil inaugura um novo tempo e novo modelo de ajuda humanitária. Fomos o primeiro país atuar dessa forma diplomática com toda cautela e coragem de enfrentar esse desafio”, afirmou.
A ministra Elizabeth Rocha (STM) ficou bastante emocionada com o lançamento de “Nós por Elas”. “O nosso dever é estender as mãos para quem precisa. Humanidade não tem pátria. No jazigo de Oskar Schindler tem uma frase: “quem salva uma vida, salva o mundo”. Minhas palavras são de gratidão à Renata Gil pela sua coragem e a sua bravura. Todos unidos com esse gesto humanitário salvamos o mundo de certa maneira”.
O representante do ministério da Defesa, general de Brigada Josias Pedrotti da Rosa, declarou apoio à missão humanitária da AMB. “O ministério da Defesa está pronta para ajudar essas famílias. Sejam muito bem-vindas à nova Escola Superior de Defesa . Nós estamos muito orgulhosos dessa nova tarefa”.
O representante da Casa Civil do Governo Federal, Tarcísio Franco, falou sobre a importância desse trabalho humanitário liderado pela AMB. “Nós do centro de governo vamos apoiar esta iniciativa da AMB com todos os recursos que forem possíveis para auxiliar essa nobre campanha. É um gesto de solidariedade internacional do Brasil que está em linha com a nossa tradição”, afirmou.
O ministro das Relações Exteriores, André Veras Guimarães, elogiou o desempenho da AMB nesta missão humanitária. “Parabéns a AMB pelo trabalho e persistência e a todos os envolvidos”.
Articulações da AMB
Desde que o regime Talibã retomou o Poder no Afeganistão, a presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) articulou um grande esquema internacional de resgate de juízas e de seus familiares que residem naquele país. A operação da AMB mobilizou as entidades estrangeiras e as do Brasil para auxiliar na fuga destas refugiadas (os). Cabe destacar que muitas destas magistradas já haviam condenado integrantes do grupo fundamentalista. Diante da falta de segurança, Renata Gil fez várias tratativas para agilizar a concessão de visto pelo governo brasileiro para realização da acolhida humanitária.
No total, são 26 pessoas afegãs: dez juízes, sete magistradas e três magistrados, além de filhos e outros familiares. Na segunda-feira (18), chegou a primeira família ao Brasil, outra veio na terça (19) e as outras cinco chegaram nesta quarta (20). É importante esclarecer que a operação não pode ser divulgada de forma detalhada por questões de segurança.
“Essas pessoas que chegaram ao Brasil em razão do grau de risco que corriam no Afeganistão. Elas foram selecionadas por entidades internacionais que fizeram parte da operação. A partir disso, entrei em contato com as autoridades brasileiras para saber o que nós deveríamos fazer.”, disse Renata Gil que esclareceu ainda: “…o plano de resgate foi feito em absoluto sigilo. Só fomos informados sobre a data de chegada dessas famílias. Não sabemos o local de partida dos voos. Não temos curiosidade saber sobre detalhes da operação”.
A AMB lidera o esquema de resgaste atendendo o pedido da Associação Internacional de Mulheres Juízas, que informou que 270 mulheres trabalhavam como magistradas no Afeganistão e buscavam acolhimento em outros países.
Essas famílias que chegaram ao Brasil irão morar na capital federal provisoriamente. A AMB fez intensas articulações com o governo para facilitar a concessão dos vistos para essas pessoas. A Associação preparou também um plano de atendimento aos recém-chegados, que prevê parcerias com planos de saúde, escolas, atendimento psicológico e outros serviços de assistência.
Após a tomada do poder pelo Talibã no Afeganistão em de agosto deste ano, a AMB e a União Internacional de Magistrados (UIM) emitiram nota de apoio à população daquele país a fim de sensibilizar a diplomacia mundial para que garanta canais de ajuda humanitária. A Associação somando esforços com a UIM e as demais entidades internacionais envolvidas, no sentido de promover a imediata saída do país das juízas afegãs, e de suas famílias.
Depois da publicação da nota, a presidente da AMB encontrou-se, pessoalmente, com o presidente da Comissão de Relações Exteriores, deputado Aécio Neves (PSDB-MG), Aécio Neves, e pediu a concessão de vistos humanitários. Em seguida, Renata Gil entregou um ofício ao embaixador Fernando Simas, em audiência no Ministério das Relações Exteriores (MRE), a fim de solicitar a edição de uma portaria interministerial entre o MRE e o Ministério da Justiça e Segurança Pública para conceder de vistos especiais ou humanitários, por meio da Embaixada do Brasil no Paquistão.
No prazo de dez dias, o pedido da AMB foi atendido, visto que o governo brasileiro editou o documento para regulamentar a concessão do visto temporário e a autorização de residência para acolher afegãos, apátridas e pessoas atingidas em razão da tomada do poder no Afeganistão.
A atuação da entidade envolveu também a articulação sobre o tema com organismos internacionais. Com isso, passou a atuar em coordenação com a União Internacional de Magistrados – UIM e com a International Association of Women Judges – IAWJ, a partir de um apelo feito pelo Presidente da UIM, José Igreja Matos.
De acordo com o secretário-adjunto de Relações Internacionais da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Walter Barone, que também é vice-presidente da UIM e presidente do Grupo Ibero-americano da mesma entidade, o objetivo foi enviar esforços para a obtenção de vistos humanitários, em seus países, em favor das juízas afegãs.
“Foi muito importante que a AMB tenha atuado em coordenação com a UIM e a IAWJ, visto que essas organizações internacionais ficaram responsáveis pela identificação e localização das juízas que estavam escondidas depois da queda do regime, bem como promoveram a sua saída do país, através da equipe em terra, em uma operação de resgate que envolvia grande risco”, afirmou o magistrado.
Ao falar sobre o papel da AMB nesta causa, Walter Barone apresentou dois motivos principais. “Primeiro porque a Presidente Renata Gil envolveu-se, pessoalmente, no projeto, tendo liderado, com espírito de solidariedade e determinação, todas as tratativas com os órgãos governamentais, o Itamaraty e diversas entidades do terceiro setor, com vistas não só à obtenção dos vistos em favor das juízas, como também para a definição de um plano de acolhida que garanta a paz, o respeito, e as oportunidades de desenvolvimento profissional que, infelizmente, foram negados às colegas afegãs em sua terra natal. Segundo porque a iniciativa da AMB também servirá de exemplo e estímulo para que outros países façam o mesmo em favor das juízas que ainda não conseguiram deixar o Afeganistão”, complementou.
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