Juíza de Rondônia conta como foi trabalhar em áreas de fronteira, na live da série “Desafios Profissionais”
A série “Desafios Profissionais” teve mais uma live na última quinta-feira (4/11) transmitida pela página da Apamagis no Instagram. A convidada foi a juíza Larissa Pinho, do Tribunal de Justiça de Rondônia, vencedora de vários prêmios na carreira, entre eles do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e da Associação dos Magistrados do Rio de Janeiro (Amaerj), além de ter atuado na região de fronteira do Brasil com a Bolívia.
A entrevista foi conduzida pela diretora de Imprensa da Apamagis e idealizadora do projeto, a juíza e jornalista Carolina Nabarro, que ressaltou que esta nova série de lives têm como objetivo abordar os caminhos das mais variadas carreiras profissionais, em especial as do sistema de Justiça.
Larissa Pinho abriu a conversa contando um pouco sobre as diversas atividades que desempenha além da Magistratura, como a docência universitária, entre outras. “Quando vejo sentido nas coisas, realmente me envolvo. Busco conhecer mais, vou atrás. Essa sou eu. Nem sempre consigo tudo, mas estou disposta a a dar o meu melhor.”
A juíza, que nasceu em Cuiabá, contou que entrou para a Magistratura no Estado do Acre, onde atuou em área de fronteira. “Fui para lá em 2009 e passei um período na região da fronteira com a Bolívia, onde aprendi a ser juíza. Me deparei com tantas situações adversas, tanto na fronteira com o Peru como com a Bolívia. São fronteiras secas, com todos os problemas reais que podem existir numa região fronteiriça que envolve tráfico de drogas e exploração do trabalho infantil, por exemplo”, destacou.
No período em que passou no Acre e na sequência em sua ida para Rondônia, fizeram a magistrada ver como o Brasil é um país continental. Essas experiência trouxeram a ela um interesse grande pelo Direito Digital. “O acesso ao Judiciário pelo meio digital é um direito fundamental. Quem está nos grandes centros não tem a noção de que o país é gigante e possui problemas básicos de falta de infraestrutura nas regiões Norte e Nordeste, no que diz respeito à tecnologia e à inovação”, advertiu.
Sobre a diferença da realidade de pontos mais isolados da região Norte do país, a magistrada deu como exemplo pessoas que se deslocam por mais de centenas de quilômetros de barco para irem a um Fórum. “Muitas vezes essas pessoas gastam o pouco dinheiro que têm para chegar ao Fórum, ficar horas lá e, em alguns casos, a audiência é adiada. Então, o acesso digital ao Judiciário é fundamental.”
Sobre alguns casos inusitados durante o trabalho da juíza na área de fronteira, Larissa Pinho lembrou um fato ocorrido no Acre, ocasião em que ia autuar o pai de uma criança de 6 anos que a mantinha em regime de trabalho diário. “Toda vez que eu ia autuar aquele homem ele fugia para a Bolívia. Um dia ele quis falar comigo e contou que ele era deficiente físico e precisava da ajuda de toda a família no trabalho, se não todos morreriam de fome. Então, são situações que a gente não sabe bem o que é justo, o que é certo.”
A magistrada também destacou a complexidade de julgar casos envolvendo indígenas que viviam em aldeias. “São muito diferentes as motivações para o cometimento de um crime, envolvendo questões culturais. O caso que peguei era um homicídio, e o que leva um indígena a cometer um assassinato muitas vezes são motivos bem diferentes dos que a gente vê nos grandes centros urbanos, e isso reflete no nosso julgamento. É preciso compreender a realidade deles”, observou.
A diretora de Imprensa da Apamagis, Carolina Nabarro completou falando um pouco sobre a diferença de compreensão e de aplicação das leis ao longo do território brasileiro. Ela citou como exemplo as diferentes legislações de cada Estado da Federação. “Cada lugar, cada Estado tem uma legislação e uma estrutura do Poder Executivo que é muito diferente. E quem vai sanar esses problemas será o Judiciário.”
Família X vida profissional
Apesar de todo o trabalho como juíza, professora universitária e coordenadora de grupos de trabalho, Larissa Pinho ressaltou a importância de se dedicar também à vida pessoal e familiar. Para ela, a vida pessoal é a base de tudo numa carreira. “Não existe isso de fazer a vida profissional para depois se dedicar a vida pessoal. A vida é uma só. O que nos sedimenta enquanto seres humanos é a nossa vida pessoal, a base para sermos um bom profissional. Não tem como eu estar mal em casa e estar bem no trabalho.”
Carolina Nabarro concordou com a juíza de Rondônia e afirmou que na maioria dos casos é justamente a vida pessoal e familiar que ajuda a tirar a pressão dos anseios da vida profissional. “Quando você vive sua vida pessoal junto é difícil também, mas a pressão é menor. E se determinada coisa for feita para você, ela vai acontecer.”
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