No Clube de Leitura, “Bartleby, o escrevente” provoca debate sobre os impactos de uma rotina pautada na produtividade
“Bartleby, o escrevente”, de Herman Melville, foi o livro debatido no dia 6/10, no encontro mensal do Clube de Leitura da Apamagis. A reunião contou com a participação Paulo Briguet, escritor, jornalista, palestrante e professor de literatura, que compartilhou diferentes possibilidades de interpretação do clássico e conduziu a discussão sobre os temas centrais da narrativa.
Paulo Briguet destacou a importância da obra que permite novas interpretações a cada releitura. Segundo o convidado, o livro é marcado pela célebre expressão do protagonista, “Preferiria não”, cuja formulação evidencia uma postura de resistência passiva e de recusa à ação. A partir dela, a exposição abordou a inação, o isolamento e a dificuldade de atribuir sentido à própria existência.
Durante a apresentação, Paulo Briguet contextualizou a trajetória de Herman Melville, nascido em Nova York, em 1819, e conhecido principalmente pelo livro “Moby Dick”. O palestrante relacionou as duas obras e destacou aspectos da vida do autor, como o período em que atuou como marinheiro, suas experiências nos mares do Sul e o posterior trabalho na alfândega de sua cidade natal.
Ao analisar a obra debatida, o palestrante discutiu ainda os simbolismos presentes nos personagens e no ambiente de um escritório de advocacia em Wall Street. A figura do escrevente foi relacionada à assídia, conceito associado ao desgosto da ação e à inércia, e posteriormente à melancolia e à depressão. A parede diante da qual Bartleby trabalha também foi apresentada como representação de isolamento e ausência de sentido. A exposição estabeleceu ainda relações entre a obra escolhida para o encontro da Apamagis, Moby Dick, Dom Quixote e referências bíblicas.
No debate que encerrou o encontro, os participantes discutiram diferentes possibilidades de interpretação para a conduta de Bartleby e para a postura do advogado que narra a história. Entre os temas levantados estiveram a solidão, a alienação, a produtividade sem propósito, o ambiente de trabalho e as ambiguidades do comportamento do narrador. Também foi debatida a possibilidade de compreender o personagem a partir de diferentes perspectivas psicológicas, sem restringi-lo a uma única interpretação.
Ao abordar a trajetória de Bartleby, a discussão também trouxe para o centro questões que permanecem presentes na sociedade contemporânea, como a solidão, a alienação e a perda de sentido diante de uma rotina marcada pela produtividade. A recusa do personagem em continuar cumprindo suas tarefas, expressa na repetição de “preferiria não”, abre espaço para diferentes interpretações sobre a inação e sobre os limites entre o indivíduo e o mundo que o cerca. Nesse sentido, a obra de Melville permanece atual justamente por não oferecer respostas definitivas, mas provocar o leitor a refletir sobre o significado do trabalho, das relações humanas e da própria existência.
O Clube de Leitura da Apamagis é gratuito e aberto a todos os associados, e ocorre na primeira terça-feira de cada mês, às 19h, de forma on-line. Acompanhe a programação na seção “Eventos”, no site da Apamagis.
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