Projeto premiado de combate à violência doméstica, criado por Juíza, é apresentado à Maria da Penha

4 de fevereiro de 2026

O livro “Clarisse me Disse”, criado pela Juíza Caroline Costa de Camargo e que se propõe a levar às crianças conscientização sobre a violência doméstica, foi entregue em mãos à Maria da Penha, cujo nome virou sinônimo da Lei nº 11.340/2006, de combate a crimes dessa natureza. Por iniciativa da própria Maria da Penha, a obra passará a integrar o rol de livros que seu Instituto usa para replicar o conhecimento sobre o tema em instituições.

O exemplar chegou às mãos de Maria da Penha no dia 29/1 por meio da pesquisadora do Museu da Pessoa Bruna Ghirardello de Oliveira, que a entrevistou para o museu. “Clarisse me Disse” foi entregue após a gravação e, segundo a pesquisadora, Maria da Penha ficou surpresa e emocionada ao ver a página do livro em que há uma ilustração da Lei, com o texto: “E para que a gente possa se proteger/ precisamos uma lei conhecer/ É a Maria da Penha que existe pra nos defender”. O exemplar de “Clarisse me Disse” foi um presente da autora, a Juíza Caroline Costa de Camargo, que atua na 2ª Vara de Capão Bonito, e do Diretor Executivo Museu da Pessoa, Marcos Terra.

A importância de conscientizar as crianças sobre violência doméstica também foi abordada por Maria da Penha durante a entrevista ao Museu da Pessoa. O vídeo ainda não foi publicado.

A foto de Maria da Penha segurando o livro “Clarisse me Disse” foi postada no perfil do projeto no Instagram (@clarissemedisse), junto de um texto assinado pela Juíza (leia abaixo). A prática ficou entre as primeiras colocadas do 3º Prêmio #Rompa TJSP/Apamagis em 2025, e teve sua primeira tiragem impressa com apoio da Apamagis.

Com um texto delicado, rimado e de fácil entendimento, a Magistrada mostra às crianças diferentes formas de violência doméstica que precedem a agressão física. Caroline Costa de Camargo também é autora de todas as ilustrações, igualmente delicadas.

“O feminicídio nunca começa no extremo da dor. Ele começa antes, vai dando sinais”, diz a Juíza. “As pessoas não são acostumadas a ler esses sinais porque quem cresce num ambiente violento, vendo a mãe tolerando, entende que isso é normal e acaba repetindo esse ciclo”. Para a Magistrada, despertar a consciência é uma forma de romper com esse modelo.

“Clarisse me Disse” já serviu de base para ações educativas. Uma delas coordenada pela própria Juíza no fórum de Capão Bonito, quando reuniu cerca de 60 crianças do ensino fundamental da cidade, com idade entre 9 e 10 anos, para discutir o tema a partir da obra.

Caroline Costa de Camargo diz que, durante a criação das ilustrações, havia escolhido uma cor para representar cada tipo de violência ocorrida na casa de Clarisse. “A única cor para a qual não tinha pensado era a do vestido da Clarisse”, conta a Juíza. “Mas uma menina, no final do encontro no fórum, me perguntou ‘doutora, o vestido da Clarisse é lilás por causa do Agosto Lilás?’. Eles são muito espertos”, afirma. Agosto Lilás é uma campanha nacional de conscientização sobre o tema.

A Magistrada também teve um encontro com professores na cidade de Itaberá, na região, para formá-los como multiplicadores do conteúdo do livro. As atividades serão desenvolvidas com todas as crianças do ensino fundamental da rede municipal. Exemplares do livro ficarão à disposição na biblioteca.

A ideia não é que os casos familiares sejam expostos em sala de aula em meio à dinâmica promovida pelos docentes, mas que a criança se conscientize do que é violência e, a partir daí, seja aberto um caminho para o rompimento do ciclo. Se for notado que a criança está inserida dentro de um contexto de violência, pode ser sugerido o encaminhamento do caso a um psicólogo ou assistente social.

O próximo passo do projeto “Clarisse me Disse” será levar o trabalho à rede de ensino das três cidades atendidas pela Comarca de Capão Bonito: Guapiara, Ribeirão Grande e a própria Capão Bonito.

 

Texto postado no Instagram @clarissemedisse

 

MARIA da Penha e a nossa CLARISSE. Que honra!

Ontem recebi essa foto e fiquei muito emocionada com esse encontro.
Maria da Penha: a mulher símbolo da luta contra a violência doméstica no Brasil, que dá nome à lei 11.340/06, e que fez da sua dor o remédio para a ferida de tantas mulheres que, ainda hoje, todos os dias, sofrem as agruras da violência doméstica em nosso país.

“Chora a nossa pátria mãe gentil.
Choram MARIAS e CLARISSES no solo do Brasil.
Mas sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente… [HÁ] esperança”

Ao som dessa música, escolhi o nome da nossa personagem, pra contar a história de tantas e alertar que antes, muito antes, da dor física, a violência já dá sinais de alerta em um lar.

Todas as formas de violência são violência.

Obrigada, Sra. Maria da Penha, pela coragem de levar sua mensagem ao mundo, mesmo diante de tanta dor e sofrimento, a senhora mudou a vida de muitas mulheres.
Seu legado fez com que sua dor virasse alerta e remédio pra muitas feridas abertas ainda hoje em nossa sociedade.

Obrigada, @apamagisoficial por acreditar no meu trabalho e permitir essa impressão que chegou a tantas crianças, escolas públicas e, agora, a essa mulher tão importante pra nós.

E obrigada, muito obrigada, ao @museudapessoa que permitiu esse encontro através da pesquisadora Bruna.
O trabalho de vocês muda o mundo, porque nos lembra que somos as histórias que vivemos, e, no fim, as histórias que contamos (that’s all folks!).
Que deixemos nossas histórias como o nosso principal legado, força, exemplo e estandarte de mudança pro mundo! 

 

 

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