TJSP abre suas portas para crianças em visita monitorada que aproxima público infantil do Judiciário

21 de outubro de 2026

O Tribunal de Justiça de São Paulo recebeu, nesta terça-feira (20/10), 18 crianças, de 8 e 9 anos, do Centro Comunitário da Criança e do Adolescente (CCCA) – Alegria, para uma visita monitorada ao Palácio da Justiça. A ação “Juízas do Brasil – Presente do Futuro” – iniciativa nacional idealizada pela ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF) – foi realizada simultaneamente em tribunais de todo o país, em alusão ao mês das crianças e ao aniversário da Constituição Federal de 1988, celebrado em 5 de outubro.

Em uma ação conjunta do TJSP e da Secretaria Apamagis Mulher (Associação Paulista de Magistrados), em São Paulo, até o final deste mês, comarcas do estado também promoverão atividades para aproximar o público infantil do Poder Judiciário e promover o conhecimento sobre cidadania e direitos fundamentais, além de estimular o interesse das crianças pelas instituições públicas e pela Justiça.

A visita ao Palácio da Justiça contou com a participação do presidente do TJSP, desembargador Francisco Eduardo Loureiro, e foi conduzida pela equipe da Diretoria de Cerimonial e Relações Públicas. No Salão do Júri, onde funcionou o 1º Tribunal do Júri entre 1927 e 1988 e ocorreram julgamentos marcantes, os pequenos visitantes conheceram um pouco mais sobre o judiciário e participaram de uma dinâmica que simulou um julgamento. Também descobriram quem é Themis, a deusa que simboliza a Justiça, e aprenderam sobre a importância das regras para a convivência em sociedade e as atribuições dos Três Poderes. “Se não tivesse regras, ninguém ia respeitar ninguém”, observou uma das crianças.

Outro momento de surpresa foi a descoberta de que o TJSP conta com mais de 40 mil servidores e cerca de 2,7 mil magistrados — um contingente que, como perceberam as crianças, daria para encher um campo de futebol. A acessibilidade também fez parte da experiência: elas aprenderam a sinalizar “Palácio da Justiça” em Libras, assim como seus próprios nomes, ampliando o contato com a Língua Brasileira de Sinais e com diferentes formas de comunicação.

A programação incluiu ainda uma passagem pela Sala Advogado José Adriano Marrey Júnior, que abriga parte do acervo histórico do Tribunal. Em uma caça aos objetos, as crianças foram convidadas a descobrir peças que ajudam a contar a história do Judiciário paulista, como a colher de pedreiro utilizada no assentamento da pedra fundamental do edifício.

As obras de arte também despertaram a curiosidade dos pequenos. “Eu acho que essas pinturas são muito raras”, comentou um dos meninos, enquanto outro quis saber: “Quantas toneladas tem essa mesa?”. O Oxê de Xangô, machado sagrado que simboliza justiça, equilíbrio e igualdade para os povos tradicionais de matriz africana, também chamou a atenção dos pequenos. Natália*, de 8 anos, contou que essa foi sua parte favorita do passeio: “Eu gostei de ver o machado da biblioteca”.

A visita passou pelo Salão Nobre Ministro Costa Manso, onde são realizadas as sessões do Órgão Especial. As crianças conheceram a composição do colegiado e entenderam o papel dos desembargadores, além de observar os detalhes da decoração, como os adornos de folhas de café, leões e águias e as pinturas folheadas a ouro. Para aprender de forma lúdica sobre as sete virtudes representadas nos vitrais, participaram de uma gincana de mímica.

Um dos momentos especiais foi o encontro com o presidente do TJSP, desembargador Francisco Eduardo Loureiro, que conversou com os pequenos, respondeu às perguntas e ouviu seus planos para o futuro. Ao ser questionada sobre o que gostaria de ser quando crescer, uma das meninas respondeu: “Quero ser policial, professora e médica”. Fernanda*, de 9 anos, também compartilhou sua impressão sobre a experiência: “Gostei de tudo, estou conhecendo mais o Tribunal de Justiça e está sendo muito legal”.

Acompanharam a visita a gerente Elizabeth Goulart e a assistente técnica Camila Santos. Para Elizabeth, a experiência amplia o acesso a espaços e experiências culturais. “Eles estão no bairro da Liberdade e não têm acesso a determinados locais, culturas e lazer. É importante que saibam que aqui é o território deles”, destacou.

*Texto publicado no DEJESP (Diário Eletrônico da Justiça do Estado de São Paulo. Fotos TJSP

** nomes fictícios

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