Márcio Franklin Nogueira – (11/10/1942 – 27/08/2026)

1 de outubro de 2026

José Renato Nalini,

Reitor da Uniregistral,

Docente da Pós-graduação da UNINOVE

e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

Jundiaí perdeu mais um de seus filhos ilustres. O Desembargador Márcio Franklin Nogueira, embora nascido em Ituiutaba, Minas Gerais, era um jundiaiense convicto e fiel. Filho do também juiz José Duílio Nogueira de Sá, jurista da velha cepa, citado por Pontes de Miranda no seu fabuloso “Tratado de Direito Privado”, sempre foi o primeiro aluno.
 
Colecionar primeiros lugares era uma característica sua, pouco divulgada. Assim foi ao prestar concurso de ingresso à Companhia Paulista de Estradas de Ferro, em 1964. Nesse mesmo ano, também ingressei na empresa ferroviária que era um orgulho brasileiro e que, infelizmente, foi sucateada ao ser estatizada.
 
Em seguida, foi o primeiro classificado no concurso de ingresso ao quadro funcional da Câmara Municipal de Jundiaí. Primeiro colocado nos subsequentes certames: Delegado de Polícia, Promotor Público e Magistratura bandeirante.
 
Aqui evidenciou seu amor pela cidade adotiva. Foi Substituto em Jundiaí e depois de passar por Juquiá e Olímpia, volta para a 1ª Vara Cível de nossa Comarca. Por essa época estreitou-se nosso convívio, que já se iniciara quando também ingressei à Magistratura. Costumava fazer companhia a ele, quando ia em direção a Olímpia e eu para Barretos, onde iniciei a trajetória no Judiciário.
 
Foi quem me convenceu a permutar e deixar a Capital para assumir a 4ª Vara Cível de Jundiaí. Formávamos um quarteto na área cível: Márcio na 1ª Vara, Onofre Barreto de Moura na 2ª, Artur Marques da Silva na 3ª, eu na 4ª. Para completar, havia o nosso querido e inesquecível amigo Antonio Gomes de Amorim.
 
Márcio exerceu a diretoria do Fórum e foi muito operoso, como era de seu temperamento inquieto, instigante, ávido por novidades tecnológicas. Foi um dos primeiros a trabalhar eficientemente com o computador. Muito rápido em suas decisões, era preciso em sua linguagem escorreita.
 
Professor de Língua Portuguesa no tradicional colégio “Luiz Rosa”, logo enveredou pela docência superior e foi formador de inúmeras vocações buriladas durante o longo período em que esteve na primeira Faculdade de Direito de nossa cidade, cuja direção exerceu com galhardia. Primava por fazer a instituição prestigiada por juristas de renome, que recepcionava com sofisticada simpatia. Graças ao seu prestígio, a Faculdade local foi frequentada por luminares, alguns dos quais passaram a ser docentes regulares, como Gilberto Quintanilha Ribeiro, Valentim Alves da Silva – que fora Juiz em Jundiaí – José Afonso da Silva, Caio Eduardo Canguçu de Almeida e tantos outros. Márcio fazia boa dupla com o também inolvidável Jorge Luiz de Almeida, outro prócer que mereceria culto permanente por parte das atuais e futuras gerações.
 
O Márcio que alguns poucos privilegiados conheceram melhor, foi o viajante curioso, que explorava inóspitas partes do planeta, além do circuito convencional do turismo corriqueiro. Era amigo dos amigos, atencioso e prestativo. Culto, erudito, inteligente e perspicaz, uma personalidade singular, que nunca se vangloriou da capacidade inata, estimulada por um empenho personalíssimo, de vencer todos os campeonatos de sua gloriosa existência.
 
Era, ademais, um excelente anfitrião. Seus encontros na acolhedora residência da Rua Satélite eram festivos, animados, extensão do ambiente familiar com o deleite de um convívio de gente escolhida. Já faz muita falta. Mas tem lugar especialíssimo na memória de quem o conheceu e privou de sua amizade. Ficam as saudades, um sem número de lembranças a serem acalentadas enquanto não formos também chamados para o encontro inevitável com o mistério da morte. E a esperança de reencontro em outra esfera.

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