Clube de Leitura aborda a obra “Cem Anos de Solidão” sob o olhar da psicanálise

9 de fevereiro de 2024

O primeiro Clube de Leitura da Apamagis de 2024 foi realizado em 6/2 e analisou a obra “Cem Anos de Solidão”, do escritor colombiano Gabriel García Márquez. Contou com a palestra do psicanalista Vitor Burgo, especialista em escrita e criação, doutor em ciências jurídicas e professor de pós-graduação em psicanálise, arte e literatura. A mediação foi do magistrado Renato de Andrade Siqueira.

O livro versa sobre Macondo, uma cidade mítica, e os descendentes de seu fundador, José Arcadio Buendía, no período de um século. Gabriel García Márquez utiliza recursos do chamado realismo mágico, estilo que auxiliaria a propagar a partir do lançamento da obra, em 1967. A história mescla corrupção e loucura, fantasmas e revoluções, relações incestuosas, tudo encarado com naturalidade.

“Cem Anos de Solidão” é considerada uma das obras-primas da literatura latino-americana moderna. Quinze anos após o lançamento, em 1982, o escritor recebeu o Prêmio Nobel de Literatura.

O palestrante Vitor Burgo trouxe reflexões psicanalíticas sobre o livro, as principais histórias desenvolvidas no enredo e a respeito do método de escrita, entre outros pontos abordados na reunião do Clube de Leitura.

“Em muitos trechos podemos perceber um ‘aproach’ psicanalítico, sonhos e significados. Gabriel García Márquez está nos dando o tempo inteiro notícias do que ele viveu na vida dele, mas ele não precisa dizer tudo de maneira direta. O escritor faz fabulações, podendo ser universalizadas. Essa é a beleza da construção do texto”, ponderou Vitor Burgo.

O palestrante fez analogias sobre situações atuais abrangendo a falta de comunicação entre as pessoas, verificando o que chamou de “anestesia nas relações sociais”. Também teceu explanações sobre formas de se contar uma história, situações e peculiaridades de determinados cenários.

“Gabriel García Márquez nasceu e cresceu em uma região marcada por um caldeirão cultural muito grande, com miscigenação de idiomas. Ele é fortemente impactado pelas suas vivências”, refletiu o palestrante. “Algo forte na psicanálise, e que vemos no livro, é a transmissão do pai para o filho, as relações familiares intensas”, ressaltou Vitor Burgo.

O palestrante também fez paralelismos entre arquétipos da mitologia grega, histórias bíblicas e similaridades encontradas em diversas culturas dentro da história da humanidade.

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